Apoio Pedagógico
BULLYING – A NEGAÇÃO DA AMIZADE, DO CUIDADO E DO RESPEITO

O tema da violência nas escolas tem despertado inúmeras discussões e reflexões entre educadores de todo o mundo. Com extrema perplexidade, somos espectadores silenciosos diante da agressividade humana — quase diária — exemplos da ausência de amizade e respeito entre crianças e jovens.

 

O fato é que essa prática violenta cresce, a cada dia, com a cumplicidade de alguns, com a tolerância de outros e omissão de muitos. As consequências são alarmantes. Pesquisas recentes identificaram um aumento surpreendente de estado depressivo entre alunos vitimizados e agressores, gerando desinteresse pela escola e abandono dos estudos, medo, isolamento, entre tantas outras agressões à alma.

 

Quando a prática agressiva ocorre de forma intencional e repetitiva por um indivíduo ou grupo contra outra pessoa, caracteriza-se o bullying. Esse fenômeno não é um problema local, mas global, tão antigo quanto a escola, diferentemente do que possa parecer pelo destaque atual na mídia e nas novelas de televisão que atentam, também, para o cyberbullying, uma forma de violência que cresce e se espalha com maior velocidade pelo uso da Internet. 
 
 
Sob a roupagem de brincadeira de mau gosto, o fenômeno invade silenciosamente os espaços escolares. O importante é que tal prática não seja banalizada e confundida com indisciplina. Para ser identificado, prevenido e combatido dentro do universo escolar, uma parceria entre família e escola é fundamental. Um olhar observador de todos pode detectar sinais de humilhação, agressão física ou verbal, intimidação, entre outros, livrando do sofrimento autor, vítima e testemunhas.
 
 
Assim como o aluno-alvo, o agressor também precisa de acolhimento, por ser muitas vezes fruto de uma família desestruturada ou até mesmo por já ter  sido vítima de agressão. As feridas abertas acompanham os envolvidos por toda vida. Esse é um preço muito alto.
 
 
A poetisa e educadora Gabriela Mistral nos ensina que “somos culpados de muitos erros e muitas falhas, mas o pior crime é abandonar as crianças, desprezando a fonte da vida. Muitas coisas de que precisamos podem esperar. A criança não pode. (...) Para ela, não podemos responder ‘Amanhã’. Seu nome é ‘Hoje’.” A educação não pode abandonar o aluno à própria sorte. Ele precisa de cumplicidade, de amizade, da garantia de uma relação harmoniosa na sala de aula, de que o educador entregue à sua ação valores essenciais, como amor, competência e coragem.
 
 
Não se educa mais sem amor. O amor justifica a própria missão de educar. O amor, que é capaz de enxergar o outro na sua individualidade, nas suas angústias e fragilidades. O olhar de quem educa é capaz de perceber quem pede socorro e quem já perdeu a esperança. É preciso competência quando se está diante de um desafio como o bullying — e competente é o professor que busca compreender e aprofundar seu conhecimento pelo outro, aquele que se sente instigado a mudar a sua prática pedagógica para alcançar o seu aluno. Sem coragem não se sai do lugar. A falta de ousadia leva à estagnação. Assim não se vence a violência. A coragem é valor dos que acreditam no poder da educação. A educação que transforma vidas, que possibilita voos, que gerencia sonhos.
 
 
Dessa forma é que deixaremos de ser espectadores silenciosos diante da violência. Com a nossa ação intencional, podemos tornar a escola um espaço de acolhimento, de amor, de educação, de paz. E é de paz que os estudantes precisam para aprender e os educadores para ensinar. É de paz que a família precisa para educar os seus filhos.
 
Revista Profissão Mestre. Ano 10. n 115. Curitiba: Humana Editorial. Abril/2009.


Busca:

O dever de informar
...
Reunião escolar: Para que serve?
Avaliação da aprendizagem
15 de outubro – Dia dos Professores
O QUE É EDUCAR
BULLYING – A NEGAÇÃO DA AMIZADE, DO CUIDADO E DO RESPEITO
10 COISAS QUE VOCÊ NÃO DEVE FAZER EM SALA DE AULA
A movimentação na educação
Antes que os filhos cresçam
Educação para a vida começa em casa
Copyright © 2011 Editora Construir. Todos os direitos reservados.