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Educação para a vida começa em casa
Quem nunca escutou a famosa história do pai que constrói um verdadeiro império ao longo de sua vida, mas que o filho demora poucos anos para destruir?
 
Se você acha que essa situação faz parte apenas de filmes ou contos cheios de lições de moral, está muito enganado. Grandes executivos, como Bill Gates, estão tomando algumas precauções para evitar a “acomodação” de seus herdeiros. A principal consiste em destinar a maior parte da fortuna para entidades filantrópicas e uma porcentagem bem menor para seus filhos.
 
Pelo menos é isso o que vem ocorrendo em alguns países do Hemisfério Norte, onde a cultura familiar de educação dos filhos tem características muito diferentes do universo latino.
 
Warren Buffet, o segundo homem mais rico do mundo, também aderiu à ideia. Ele vai deixar apenas 15% do total de seus bens conquistados para seus filhos
Peter, Howard e Susan. Uma declaração sua sintetiza bem a lição que a medida pretende ensinar: “Eles receberão o bastante para que possam fazer qualquer coisa, mas não o suficiente para não fazer nada”.
 
É evidente que decisões como essa podem ser interpretadas de várias maneiras. Vão desde uma postura desprendida com o dinheiro — pelo menos a partir de alguns milhões de dólares acumulados — até um duro revés para candidatos ao folclórico “golpe do baú”.
 
Porém, alguns estudiosos que começam a se interessar pelo assunto localizam nesse comportamento uma profunda alteração nos procedimentos dos antigos
milionários que fracassaram, rotundamente, na transferência das suas fortunas para seus filhos. Ou, no mínimo, não os educaram adequadamente para a vida. E muito menos para administrar a fortuna recebida. tem a nos ensinar?
 
 
Especulações sobre o assunto não faltam, e, com elas, analistas começam a apontar prováveis justificativas para a atitude que os milionários estão tomando em relação a suas proles.
 
Para eles, caso os poderosos executivos desejem que seus filhos se deem bem na vida e assumam o seu destino com sonhos e realizações próprias, a instrução é, provavelmente, mais importante do que a fortuna que herdarão. Pois, em economias maduras e mercados competitivos, as pessoas inteligentes e bem-formadas conseguem viver muito bem, e melhor, com recursos e capacidades próprias.
 
Reportando tanto aos ensinamentos de Freud, pai da Psicanálise, como até mesmo à vã filosofia dos botequins da vida, continua valendo a premissa de que uma fortuna recebida sem esforço pessoal ou uma dose de conquista é o caminho mais fácil para o fracasso e a ruína psicológica. O velho ditado que “dinheiro não aguenta desaforo” continua muito atual. Especialmente para quem não tem noção de como ele foi conquistado.
 
E, por último, os especialistas apontam que uma tendência atual de valorização da “meritocracia” também contribuiu para um posicionamento mais duro e desprendido dos milionários com relação a seus herdeiros. Segundo eles, a sociedade atual tende a valorizar muito mais pessoas, fortunas e conquistas ganhas por meio de um trabalho árduo e criativo. Ou seja, para as quais a imaginação e o espírito empreendedor foram determinantes. A fortuna herdada só gera figuras inquietas, mas nem sempre criativas e empreendedoras.
 
Os comentários dos analistas indicam ainda que, para aliviar sua consciência e ter um reconhecimento que ultrapasse sua própria existência, existirão cada vez mais ricos doando suas fortunas para instituições filantrópicas. Resta confiar que essa tendência não seja apenas um modismo. E que ela também passe a fazer parte da cultura dos nossos milionários. Ou seja, que nossos empreendedores e empresários de sucesso compreendam que preparar filhos para a vida é muito mais do que transferir fortunas. Em alguns casos, continua sendo tornar-se pais mais presentes na vida dos seus descendentes.
 
A contribuição da escola
 
É evidente que, a partir de ações desenvolvidas na família, inicia-se a etapa do envolvimento da escola nesse processo de preparo das novas gerações.
 
Quem viu o brilhante e provocativo filme chileno Machuca, com certeza, percebeu como é complexa e desafiadora essa missão. O filme conta a história de uma escola de elite, localizada em Santiago, que recebe um novo professor proveniente dos Estados Unidos, sede da instituição mantenedora.
 
Esse fica indignado pelo fato de que a instituição é frequentada apenas por alunos de famílias abonadas, portanto, sem nenhum contato com a realidade social e econômica dos demais habitantes do país.
 
O educador propõe, então, a inserção de crianças oriundas dos bairros periféricos da cidade de Santiago, que trazem consigo todos os dilemas e dificuldades de quem tem de lutar para sobreviver em condições muito adversas. Durante a trama, um dos alunos pertencente a uma família rica fica amigo de outro que chega da periferia. Machuca é o nome do menino que provém da família pobre. A partir desse relacionamento, pode-se perceber todo o processo de aprendizado mútuo e as dificuldades de cada um dos garotos em compreender a realidade do outro. Menciono esse filme porque ele tem sido um dos instrumentos que temos recomendado a muitas famílias empresárias em nosso processo de consultoria para o preparo das novas gerações que herdam patrimônio e um legado, mas que, muitas vezes, estão muito despreparadas para a vida.
 
Compete aos dirigentes das instituições de ensino — muitas delas, empresas familiares — direcionar suas estratégias organizacionais, corpo docente, recursos didáticos, metodologias e sistemas de valores para o devido preparo dessas novas gerações que terão papel significativo de liderança em nosso país.
 
Um dos objetivos deste artigo é provocar esse debate em nossas instituições de ensino na medida em que elas estão comprometidas com um país melhor. Isso requer que tanto os grupos controladores das mantenedoras como professores e funcionários assumam como seu papel e responsabilidade essa visão e essas ações.
 

Renato Bernhoeft – Fundador e presidente da Bernhoeft Consultoria Societária que representa o FBCGi – The Family Business Consulting Group International – na América Latina. Visite www.bernhoeft.com.
 


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